AI

AI
AI

Monday, March 17, 2008

Cultura e Altruísmo

Começamos este trabalho por abordar o conceito de altruísmo recíproco e a sua influência no facto do ser humano ser gregário. A evolução desta característica tem implicações ao nível cognitivo nomeadamente à exigência da existência de mecanismos de identificação individual e de avaliação de custos e benefícios prestados ao próprio ou à ‘comunidade’. O Altruísmo recíproco que Trivers postulou em 1971 é, de certa forma, inevitável, visto ser uma questão matemática de sobrevivência. Um grupo de indivíduos que tendem a cooperar numa base de altruísmo recíproco, terão maiores probabilidades de proliferar que um mesmo grupo em que os mesmos indivíduos operem enquanto unidades isoladas. A reprodução sexuada dá o mote para a inevitabilidade e a necessidade da existência de outro indivíduo (nem que seja só um) para a reprodução e sobrevivência (dos genes). De dois indivíduos para mais que dois indivíduos, mais uma vez, é uma questão de probabilidade de sucesso na reprodução, sendo que cada sexo vai tentar maximizar as suas possibilidades de se reproduzir aumentando as probabilidades de encontrar um parceiro viável, o que implica a procura do outro sexo. Não é de estranhar portanto que o homem tenha evoluído no sentido de ser, o tão aclamado, ser social.

A evolução, na óptica de Dennett levou ao aparecimento de criaturas que eventualmente entraram no ‘nicho cognitivo’. Sem entrar nos vários tipos de seres cognitivos (popperianos, rogerianos, etc,) que o autor descreve, será suficiente, para o propósito deste trabalho, assumir que o homem enquanto ser cognitivo, possui a capacidade de conceptualizar o mundo (ou os mundos específicos de cada unidade que consegue descrever), bem como conceptualizar acções, conceptualizar-se a si próprio e relacionar estas conceptualizações entre elas através de conectores (como os encontrados nos
mapas conceptuais). Estes conectores são em si ‘objectos’ conceptualizáveis e relacionáveis e a natureza intrincada e recursiva desta capacidade pode na óptica de Hofstadter levar ao aparecimento da consciência. O nicho cognitivo, pela sua natureza e pela relação causal que tem com a consciência, leva-nos ao conceito de informação. Informação, segundo Lloyd, é uma analogia, i.e., é a possibilidade de fazer corresponder um sistema formal a outro sistema formal. Para isso é necessário um aparelho conceptualizador que, por sorte e como outros vertebrados, possuímos. O aparecimento de células nervosas que se organizam sucessivamente em sistemas cada vez mais complexos até ao nosso SNC é visível desde os cnidários. A recente descoberta de neurónios espelho vem possivelmente elucidar como podemos possuir e processar informação para além das nossas próprias experiências, bem como fornecer uma base biológica para a aprendizagem, a linguagem e a empatia. Estas características são patentes na ‘vida social’ bem como é patente a função evolutiva do aparecimento de um tal mecanismo. A vida em grupos fornece vantagens, é certo, mas ao mesmo tempo é fonte de perigos novos, especialmente se não conseguirmos decifrar em tempo real as intenções do outro.

A informação de que falamos aqui de nada serviria se não possuíssemos outra competência cognitiva de base que é a capacidade de armazenar, recuperar e trabalhar a informação. Se não possuíssemos esta capacidade não seria possível sequer conceptualizar seja o que for, não haveria nada para conceptualizar, é ela que possibilita a aprendizagem. A
memória, seja ela um armazém de experiências ou uma alteração específica da forma ‘default’ de processamento de uma dada informação, encontra-se assim em estrita relação com a aprendizagem. A aprendizagem baseia-se portanto na informação que conseguimos ‘retirar’, ‘guardar’ e conceptualizar do mundo que nos rodeia. Este mundo é portanto representado num sistema cognitivo e as suas unidades, tal como os ‘objectos’ do mundo possuem uma relação entre elas. A todo este processamento implícito que é inerente à cognição chamamos transmissão involuntária de informação. Transmissão involuntária, na medida em que falamos de seres animados, a quem imputamos intencionalidade, e que apesar de não terem a ‘intenção’ de transmitir informação, esta (leia-se informação) é inevitável e inerente a qualquer estado, objecto acção ou inacção. Pode-se dizer que é a própria consciência a criar a informação (pode?).

A associação de intencionalidade e informação leva, não surpreendentemente, à intenção de informar, ou de comunicar. Como já vimos, a
comunicação é inevitável visto a informação ser uma propriedade inerente de qualquer objecto no confronto com uma consciência, a comunicação no entanto quando é intencional é considerada linguagem (seja esta verbal, ou não verbal). Baseia-se em símbolos e num sistema de analogias acima referido (um ‘sistema mundo’ corresponde a um sistema de símbolos cognitivos, sendo estes um padrão de activação neuronal específico), a necessidade de feedback da informação implica uma base comum onde mais uma vez, os neurónios espelho aparecem como uma variável importante a considerar. Pinker considera a linguagem uma inevitabilidade e como sendo um instinto (instinto para a linguagem) para o qual temos (nós homens) uma predisposição inata.

Chegamos, temo tardiamente dado o limite de palavras imposto, ao conceito de
cultura. A definição de cultura é elusiva, e para formular um discurso que seja abrangente a animais humanos bem como a animais não humanos, consideraremos cultura de uma forma muito genérica. Para isso chamaremos cultura a um conjunto de comportamentos específicos (que sugiram ou não como solução a problemas específicos) e que tenham uma correspondência em várias gerações. Tal como o conceito de selecção natural, o conceito de cultura não pode existir sem uma forma de transmissão inter-geracional de comportamentos específicos (ou de genes no caso da selecção natural), ou seja uma forma de hereditariedade. Sempre que há mais do que uma forma de atingir o mesmo objectivo, a forma a que um organismo chega é probabilística, i.e., depende da capacidade de conceptualização, processamento e experiências prévias (que obviamente implicam o ambiente em que está integrado). Ao aprender um comportamento específico como solução a um problema, e sendo bem sucedido no objectivo, o organismo vai reforçar esse comportamento que lhe fornece uma capacidade a mais que outro organismo (que vive no mesmo grupo) não possui, rapidamente vão ser favorecidos os indivíduos que aprendam, não só por um processamento eficaz de informação mas por uma capacidade eficaz de seleccionar e imitar outros comportamentos que sejam úteis. Isto é o equivalente ao dizer que aprendemos com as experiências dos outros ou que quantas mais maquinas cognitivas se debruçam sobre um mesmo problema maior vai ser a probabilidade de atingirem uma solução mais rapidamente e de os outros (que não chegaram à solução) aprenderem também. Dadas as condicionantes acima referidas, organismos com capacidades de processamento diferentes em ambientes diferentes tenderão a atingir respostas diferentes para os mesmos problemas. Isto cria nichos de cultura mais ou menos elaboradas e mais ou menos eficazes (obviamente depende também da natureza do problema envolvido).

Dawkins propôs o nome de ‘
meme’ à unidade teórica (correspondente ao gene) de transmissão de cultura / ideias, este conceito foi explorado mais a fundo por Dennett e deu origem à memética que, como o nome indica é o estudo das unidades replicadoras de cultura. A capacidade que resulta da combinação da consciência, memória, linguagem e a possibilidade de contrariarmos a nossa ‘programação’ biológica aliada à hereditariedade das praxis particulares levam ao nascimento de uma dinâmica que apesar de derivar dos organismos aparenta ser autónoma. Neste sentido a teoria da co-evolução gene cultura que consiste em considerar ambos os sistemas como autónomos e mutuamente influenciáveis coloca o enfoque nesta interacção entre genes e cultura ao mesmo tempo que fornece novos modelos e paradigmas experimentais que permitem compreender melhor tanto a cultura como os genes.

Referências

- BYRNE, R. W., BARNARD, P. J., DAVIDSON, Iain, JANIK, V. M., McGREW, W. C., MIKLO, A. e WIESSNER, P. (2004), Understanding Culture Across Species. TRENDS in Cognitive Sciences Vol.8 No.8 August 2004
- DAWKINS, R. (1976), The Selfish Gene. Oxford University Press, reimpresso em 1989.
- DENNETT, D. C. (1991), Consciousness Explained. The Penguin Press.
- DENNETT, D. C. (1996), Tipos de Mentes. Rocco Temas e Debates – Actividades Editoriais Lda. Lisboa.
- HOFSTADTER, D. R. (1987), Gödel, Escher, Bach. An Eternal Golden Baird.
- LLOYD, S. (2006),
Programming the Universe: A Quantum Computer Scientist Takes On the Cosmos. ED.
- MESOUDI, A., WHITEN, A., LALAND, K. N., (2006), Towards a Unified Science of Cultural Evolution. EUA, Behavioral and Brain Sciences 29, 329–383.
- PENROSE, R. (1989), The Emperor's New Mind: Concerning Computers, Minds, and the Laws of Physics. Oxford Univ. Press.
- PINKER, S. (1994), The Language Instinct. Penguin, London.
- PINKER, S. (1997). How the Mind Works. Norton, Ed. USA.
- PURVES, W.K., ORIANS, G.H. & HELLER, H.C. (1998), “Life: the science of biology”. Sinauer Associates. 5th Edition. Massachussetts. U.S.A. 1234pp.
- TOMASELLO, M. (1999), The Human Adaptation for Culture. Annu. Rev. Anthropol. 28:509–529.
- WIKIPEDIA,
http://en.wikipedia.org/ (para definições de conceitos).

"The significance of language for the evolution of culture lies in this, that mankind set up in language a separate world beside the other world, a place it took to be so firmly set that, standing upon it, it could lift the rest of the world off its hinges and make itself master of it. To the extent that man has for long ages believed in the concepts and names of things as in aeternae veritates he has appropriated to himself that pride by which he raised himself above the animal: he really thought that in language he possessed knowledge of the world.”
Friedrich Nietzsche, Human, All Too Human

Sunday, December 30, 2007

O problema mente/cérebro

O problema mente/cérebro ou dualismo mente/cérebro surge com René Descartes (1596-1650). Mais do que um problema sobre a existência ou não da ‘alma’ ou de outra qualquer propriedade incorpórea que nos torna, enquanto espécie, ‘especiais’, o problema mente/cérebro diz respeito à conceptualização de matéria e não matéria, do físico e do metafísico (ou não-físico), do objecto e do sujeito.

“Even so, it is in the writings of Descartes that we find the full-blown paradox of the mind-body dichotomy. His method of radical doubt led to a single certainty: 'I think, therefore I am' — a theory of knowledge based on subjectivity linked to a theory of ultimate reality based on 'thinking substances' as one class of existence. Mind was being put forward as a self-contained sphere of enquiry.” (Robert M. Young, 1990)

É realmente a partir de Descartes que realmente se diferenciam as várias escolas do pensamento sobre esta problemática que levam, inevitavelmente, a questões de ordem maior e que ainda hoje em dia são as bases da ciência e do pensamento moderno.

Pode-se pensar neste problema de dois grandes pontos de vista ou correntes, uma ontológica, em que a problemática se centra na dicotomia mente-cérebro, e outra epistemológica, onde o dualismo é o sujeito vs. o objecto.

Por um lado, o cérebro, enquanto órgão, enquanto objecto observável, faz parte do mundo físico, está localizado num sítio específico (o crânio), é responsável pelo comportamento, é o ‘centro de controle’ do SNC e possui uma miríade de outras propriedades e características que remetem para ‘coisas’ observáveis. Por outro lado temos a mente. A mente não é uma ‘coisa’ ou um objecto observável. Ela é um objecto deduzível, faz portanto parte de uma não-matéria do não-físico ou metafísico. Nas suas definições, começam a aparecer uma infinidade de conceitos de ‘coisas’ que não podem ser observadas directamente, ‘coisas’ como a informação, o significado, a cognição, a percepção, a memória, a atenção, a intencionalidade, a consciência, a imaginação, os sentimentos, as emoções, a alma, etc..

O grande problema dos postulados dualistas é a falta de uma explicação de como um não-objecto pode interagir com um objecto.

Uma afirmação, na sua maioria consensual, é o facto de termos um órgão chamado cérebro (que tem varias funções), estando a mente intrinsecamente ligada a este (visto que sem cérebro não somos capazes de identificar ‘mente’). Sem querer entrar numa discussão ontológico-linguística sobre o significado de cérebro ou a semântica das palavras, uma coisa que acho importante sublinhar, são as implicações desta primeira afirmação. Ao falarmos, identificarmos ou nomearmos um objecto estamos a assumir uma perspectiva materialista. Estamos a dizer o que uma coisa é. Todos os constructos idealistas partem da negação do ser, da negação da matéria e da negação do que é quantificável e observável. Neste sentido, a discussão da existência da matéria não é realmente uma discussão.

Esta perspectiva tem duas implicações, a primeira é a impossibilidade de um ‘objecto’ ser e não ser ao mesmo tempo segundo o princípio do terceiro excluído (tertium non datur). A segunda é que os ‘objectos’ metafísicos (ideias), que segundo as perspectivas dualistas são de outra ordem (substancias imateriais), e segundo o idealismo chegariam a ser a realidade em si (nós incluídos), teriam assim, também eles, propriedades físicas.

Mas aqui já estarei a assumir posições, voltando atrás: como pode uma ‘não-coisa’ interagir com uma ‘coisa’?

As estratégias para resolver este dualismo assumem fundamentalmente três dimensões: dualismo, materialismo ou fisicalismo, e Idealismo ou Mentalismo.

O dualismo clássico, resolve o problema da comunicação entre matéria e não-matéria, fazendo aparecer Deus neste ponto. O próprio Descartes falava das propriedades ‘mágicas’ da glândula pineal, sem nunca, no entanto, explicar como esta passagem realmente funcionaria. Os Interaccionistas modernos (dualistas por definição) partem do pressuposto que os dois mundos (físico e mental) interagem mas não conseguem explicar este fenómeno em termos causais.

O paralelismo psicofísico, ou concomitância, tenta resolver o problema postulando que os processos, físicos e mentais acontecem em paralelo não havendo necessidade de interacção entre os dois.

Em oposição às doutrinas dualistas surgem as monistas das quais o materialismo faz parte, segundo as materialistas, o mental não tem autonomia ou eficácia causal, é apenas um efeito ou um epifenómeno dos processos físicos e fisiológicos. A maior crítica a esta perspectiva é a de que o conceito de matéria é demasiado reduzido para conseguir explicar o aparecimento da vida e da mente, por isso é também chamada, às vezes, reducionismo.

Existem algumas variantes do monismo materialista, uma delas é a Identity Theory segundo a qual os dois estados (mente e cérebro) estariam baseados numa Identidade empírica, os estados cerebrais. Outra abordagem que visa superar as dificuldades de perspectivas monistas e dualistas, mas que no entanto pode ser considerada uma perspectiva monista também, é o monismo neutro que considera mente e cérebro como dois aspectos ou atributos de uma realidade subjacente única que seria uma ‘substância’ nem mental nem física.

Por ultimo, uma abordagem que só considere o mundo mental ou das ideias também é conceptualizável, chama-se Idealismo ou Mentalismo. Não se encontram muitas teorias monistas mentalistas que não divaguem e se percam pelos meandros das relações causais de um mundo inobservável directamente. A teoria advoga que as ideias, ou o pensamento são, se não a totalidade da existência uma grande parte dela, a matéria à qual os materialistas chamam física (que é cada vez menos massa e cada vez mais ‘energia’ – existe aqui alguma desapropriação das novas teorias da mecânica quântica e da teoria das supercordas da física), não seria mais do que aglomerados de sensações. (Bundle Theory).

Como então podemos reconciliar o que nos parece instintivamente certo, i.e., que a matéria existe?

Uma teoria deriva das teorias de sistemas, e que deu origem à área de investigação em sistemas complexos, a emergência. Este postulado estuda as propriedades ‘emergentes das combinações de ‘objectos’, são propriedades que não pertencendo a nenhum dos componentes de um sistema, pertencem ao sistema como um todo.

Outra teoria que parece ter superado este problema é a Evolução. A característica que lhe permite superar a dicotomia mente/cérebro pode bem ser o Gradualismo, ao mesmo tempo que a procura da explicação do aparecimento de caracteres na filogenia de uma espécie (com os seus paralelos ontogenéticos ou não), desvia o foco da atenção sobre o funcionamento e a evolução de, seja a física como a metafísica ou ainda uma terceira, e ainda não conceptualizada, hipótese.

Neste sentido, as abordagens empíricas (fenomenológicas ou heterofenomenológicas? – Conciousness Explained, Dennett, D. 1991) ‘emergentes’ à problemática mente/cérebro que são na sua base epistemológicas, levam-nos a uma perspectiva ontológica (no seu sentido etimológico) do ser humano enquanto ‘ser’ (e objecto da) ‘ciência’, quando centradas na consciência. As questões da área da Inteligência Artificial e da Teoria da Computação, aliadas à teoria de sistemas complexos fornece-nos outras perguntas de base como por exemplo: Será possível que um sistema complexo (como o homem) seja capaz de estudar o homem? Pode o cérebro estudar o cérebro sem sair de si? E se sim como?

Referências
DENNETT, D. C. (1991) Consciousness Explained. The Penguin Press.
DENNETT, D. C. (1996) Tipos de Mentes. Rocco Temas e Debates – Actividades Editoriais Lda. Lisboa.
HOFSTADTER, D. R. (1987). Gödel, Escher, Bach. Na Eternal Golden Baird.
http://en.wikipedia.org/ (para definições de conceitos)
LLOYD, S. (2006?) Programming the Universe: A Quantum Computer Scientist Takes On the Cosmos. ED.
PENROSE, R. (1989) The Emperor's New Mind: Concerning Computers, Minds, and
the Laws of Physics, Oxford Univ. Press.
PINKER, S. (1997). How the Mind Works. Norton, Ed. USA.
SEARLE, J. (1981) Mind Design – Philosophy, psychology, artificial Intelligence. John Haugeland, Editor. MIT Press. Cambridge Massachussetts. London, England (pp.282-306)
TOOBY, J. and COSMIDES, L. (1996). The Cognitive Neuroscience. MIT Press.
Cambridge, Massachussetts. London, England (pp. 1185-1197)
VANDERWOLL, C. H. (2003) An odyssey through the brain, behaviour and the mind. Kluwer Academic Publishers. University of Western Ontario, London, Ontario,
Canada. (pp. 153-170)
YOUNG, R. M. (1990) The mind-brain problem.

http://human-nature.com/rmyoung/papers/pap102h.html

Monday, December 03, 2007

Psicologia Evolutiva II

1. Um dos postulados da Psicologia Evolutiva é que os mecanismos psicológicos evoluíram no ambiente ancestral adaptativo, podendo estes ser mal-adaptativos no presente. Exemplificando com um mecanismo psicológico particular, responde as seguintes perguntas:

1.1 Como testar se o mecanismo psicológico é ou não adaptativo no presente?

1.2 Como testar se o mecanismo psicológico era adaptativo no ambiente ancestral?

Segundo Buss (2004) [1] os mecanismos psicológicos que evoluíram têm as seguintes propriedades:

Þ Resolveram problemas de sobrevivência e / ou reprodução durante a história evolutiva do organismo

Þ São ‘desenhados’ para receber uma ‘fatia’ específica de informação

Þ 'dizem’ ao organismo o problema adaptativo particular que está a enfrentar

Þ Esta informação é transformada através de uma série de regras numa decisão (output)

Þ Esta decisão (output) pode causar uma actividade psicológica, um ‘input’ para outros mecanismos psicológicos ou manifestar comportamento

Þ Esta actividade (output de um mecanismo psicológico adaptativo) está orientada para a resolução de um problema adaptativo particular

Em sintonia com a resposta à 2ª pergunta (à qual respondi primeiro, e onde me alonguei um pouquino… sorry) vamos considerar o ciúme. Vou tentar não repetir as coisas que vou escrever / já escrevi a seguir, mas que ainda não foram lidas. (Esta parte desta resposta completa a primeira parte da resposta à pergunta 2.1)

Seguindo as propriedades do Buss (2004):

O ciúme resolve problemas de sobrevivência / reprodução: minimizando a possibilidade de quebra do contracto reprodutivo (quando resulta em comportamentos nesse sentido) ou simplesmente fornecendo informação que terá de ser pesada para a troca ou não de parceiro.

Recebe uma ‘fatia’ específica de informação: está directamente relacionado com comportamentos do parceiro e resulta em controlo e agressividade para o controlo. Característica típica do ciúme é ser cego, irracional, é uma convicção que predispõe a uma interpretação dos acontecimentos sob o prisma verde do ciúme.

Consciencializa ao organismo o problema que está a enfrentar: é relativo à quebra de contracto numa relação de cooperação.

A informação é transformada por uma série de regras: as regras inerentes a um contracto de cooperação reprodutiva, expectativas, custos e benefícios.

O output pode causar uma actividade psicológica ou comportamento: comportamnetos possessivos, obsessão, etc.

O output está orientado para a resolução de um problema particular: sucesso reprodutivo!

Portanto segundo Buss (2004) o ciúme seria uma característica psicológica evoluída, agora, como testa-la? E melhor ainda, como testar a sua capacidade adaptativa?

Diz-se uma característica adaptativa de uma característica que melhore o fitness reprodutivo de um organismo. Então o ciúme terá que melhorar o sucesso reprodutor tanto de homens como mulheres, seja directa ou indirectamente. Para isso teremos então de quantificar o ciúme de alguma maneira, relaciona-lo com o nº de descendentes, ou com a ‘cotação’ no ‘mercado’ da selecção de parceiros (facilidade em arranjar parceiros). Podíamos fazer isto tanto de uma forma pré como pós. Pré seria medir (subjectivamente ou não) o nível de ciúme de uma pessoa e quantificar o nº de parceiros. Pós seria escolher amostras de casais com descendência e sem, ao mesmo tempo que se relacionava o ciúme declarado e percepcionado pelo outro com o nº de descendentes.

Mais facilmente podia-se ver se o ciúme tem influência na selecção de parceiros ou não acrescentando uma categoria (apesar de esta ser muitas vezes percepcionada como negativa) aos estudos de mate selection já realizados.

Para testar se um mecanismo psicológico é adaptativo no presente podemos usar o modelo experimental ou a psicologia comparada. As evidências de outras espécies ajudam a postular e a refutar premissas, as descobertas arqueológicas ajudam a estruturar hipóteses e perguntas mais específicas e os modelos computacionais da mente podem esclarecer, sustentar e dirigir futuras ‘explorações’ da mente humana, passíveis de ser testadas e reproduzidas.

Por outro lado não existe uma forma de testar se um mecanismo psicológico era adaptativo no AAE. Não temos acesso nem ao próprio AAE nem aos Homens que o habitavam. O melhor que se pode fazer é deduzir que, se o mecanismo existe e é identificado hoje em dia pode ter existido e ter tido uma utilidade no AAE. Se o mecanismo for mal-adaptativo é mais provável que tenha servido para resolver um problema que já não exista e isso da-nos mais uma peça do puzzle de como era o AAE. Pode-se tentar extrapolar o AAE através de evidências arqueológicas, de comparações com sociedades de foragers que ainda hoje existam, mas não o podemos testar directamente.

2. Segundo a Psicologia Evolutiva, o ‘Ciúme’ é um estado de alerta promovido pela percepção de ameaça a uma relação que é valorizada; e existem razões evolutivas para prever que o mecanismo psicológico do Ciúme seja accionado por diferentes factores segundo o género: homens mais sensíveis a infidelidades sexuais e mulheres a infidelidades emocionais. Dentro do enquadramento da Psicologia Evolutiva:

1.1 Qual o fundamento evolutivo da diferenciação entre géneros em termos da sua sensibilidade?

1.2 Na aula tratamos de relações heterossexuais. Qual será a expectativa sobre factores que accionam este mecanismo nos homens e mulheres em casais homossexuais? Explique.

O fundamento evolutivo da diferente sensibilidade dos dois sexos no que respeita a escolha / manutenção de um parceiro / relação de cooperação significativa, tem provavelmente varias faces.

Partimos do pressuposto de que os homens e as mulheres contribuem de forma diferenciada para a sua reprodução, tanto a nível biológico como a nível de cuidados parentais, neste sentido, tanto homens como mulheres terão de ter desenvolvidos mecanismos que ajudem na identificação de características (físicas ou psicológicas…) que maximizem o seu próprio potencial reprodutivo, este fenómeno está patente em todos os estudos desenvolvidos sobre ‘mate selection’ onde verificamos a procura diferenciada entre homens e mulheres de características específicas que tendencialmente vão ser cada vez mais pronunciadas. No caso dos homens, o WHR (waist hip ratio, mais sobre isto no estudo da 3ª pergunta) que confere alguma garantia biológica, bem como a ‘fidelização’ do acto reprodutivo, que confere alguma garantia ao nível da paternidade. No caso das mulheres, alter idem, i.e., características físicas que veiculem informação de genes ‘fortes’, e por outro lado possibilidade de providenciar recursos (ao nível de um investimento continuado).

Faz sentido então, considerando estes pré-requisitos de ambas as partes, que a selecção de parceiros tenha, subjacente à sua escolha, um contrato latente de cooperação reprodutiva que implique de ambas as partes benefícios e custos. No caso dos homens o benefício garantido deverá coincidir com os critérios que mais contam para a selecção de parceiro (garantia de paternidade), no caso das mulheres o mesmo, ou seja, garantia de acesso a recursos (status, rendimento, atenção, cuidados parentais), os custos para ambos serão, o não investimento em outras mulheres (sexual ou de outra índole), para os homens, e o não envolvimento sexual com outros homens (de modo a garantir que a descendência criada tenha os genes do homem), no caso das mulheres.

Se juntarmos a este mecanismo a necessidade evolutiva, num contexto cooperativo, para a detecção de ‘batoteiros’ (cheater detection mechanisms – CDM), o aparecimento do Ciúme torna-se mais claro. CDM são mecanismos psicológicos evolutivos que tem como função a identificação de indivíduos que recebem os benefícios de uma relação cooperativa, sem nunca pagar os custos. O ciúme será assim diferenciado também, os homens tenderão a procurar garantir o próprio benefício, tendo uma sensibilidade especial às várias possibilidades de infidelidade sexual da parceira, e as mulheres terão ao mesmo tempo, maior sensibilidade para percas de investimento em prole de outra possível parceira.

No caso da homossexualidade, e partindo de um postulado ao nível da psicologia evolutiva onde se consideram mecanismos específicos para resolver problemas específicos, teríamos a tendência para responder que em casais de homens o ciúme é mais relacionado a infidelidades sexuais e que em casais de mulheres este estaria mais relacionado a infidelidades emocionais. No entanto existem várias questões:

Em primeiro lugar tendo desaparecido a função reprodutora o efeito destes mecanismos poderá ser diminuído ou até desaparecer pela possível activação de outros mecanismos, de outra índole e com outros objectivos, visto não ter uma função reprodutiva o cérebro terá de procurar outro modulo de processamento de informação que tenha outro objectivo qualquer, provavelmente um que venha imediatamente a seguir numa escala de prioridades evolutivas hierarquizada.

Em segundo lugar, pode-se postular que a existência deste mecanismo psicológico reprodutivo (que comporta os módulos descritos acima, bem como outros) precise de 2 papéis diferentes numa relação sexual. Por papeis entendemos a mímica de padrões de comportamento que ‘enganem’ o cérebro modulando as expectativas do parceiro.

A primeira questão remete para uma plasticidade e adaptatividade ao nível do indivíduo e da sua resposta psicológica a mudanças ambientais, implicaria uma perspectiva de mecanismos psicológicos domain-general, ou seja, que tivessem graus de liberdade.

A segunda questão, quanto a mim mais interessante, remete para uma plasticidade não dos mecanismos cerebrais mas da integração destes mecanismos. A aprendizagem, em fase de desenvolvimento, é feita maioritariamente por imitação. Temos portanto a possibilidade de imolar comportamentos de outros indivíduos e integra-los na nossa personalidade (torna-los mais automáticos). Neste sentido em casais homossexuais podemos encontrar uma variedade de tipos de relacionamento que dependerão de uma ‘escolha’ do indivíduo de emular o comportamento de um dos lados da relação ou do outro. Esta emulação pode ser uma estrutura permanente (lésbicas ditas ‘butch’ ou gays com comportamentos femininos) mas pode também ser uma estrutura que se modifique conforme a situação, onde teremos então uma relação baseada em vivências e a adequação a um ou ao outro papel da relação por parte de qualquer um dos membros do casal. Esta adequação será então feita com base em princípios subjectivos e egoístas, e podem ou não ser correspondidos por um comportamento complementar ou não dando origem a conflitos ou, por outro lado, a uma maior capacidade de gestão do relacionamento. Ao separar a reprodução do acto sexual as variações comportamentais serão exponencialmente maiores, tornando difícil a sua confirmação pelo método experimental visto que a quantidade de variáveis a ser manipuladas também aumentam.


3. A 13 de Novembro encontrei esta nota curta no Meia-Hora. Diz: Segundo um estudo, as mulheres curvilíneas não só são mais inteligentes como têm hipóteses de ter filhos mais espertos.

É a notícia que mulheres de todo o Mundo esperavam. Quando se fala de uma anatomia feminina com curvas isso é sinónimo de falar de inteligência. Pelo menos, segundo um estudo publicado pela revista científica Evolution and Human Behaviour que afirma que as mulheres com curvas não só são mais inteligentes, como têm filhos mais espertos do que as outras. A explicação dos investigadores Stephen Gaulin (Universidade de Califórnia) e William Lassek (Universidade de Pittsburgh) é a de que os ácidos graxos ómega 3, que se acumulam nos quadris e coxas, servem de alimento ao cérebro e são essenciais para o desenvolvimento neurológico dos bebés.

Qual a importância deste estudo para o entendimento da evolução das preferências masculinas pelos parceiros femininos a longo-prazo?

A importância deste estudo é óbvia, ao ser confirmado, este estudo fornece uma explicação da razão pela qual os homens preferem um rácio mais baixo na escolha de parceiras a longo prazo. A existência da preferência de um rácio mais baixo já foi, e continua a ser testada, a sua existência não explica, no entanto, a razão pela qual esta preferência existe. Capacidades cognitivas maiores implicam maior fitness da descendência (independentemente do ambiente – desde que não se potenciem a custa de outras?). Faz sentido então que exista um mecanismo psicológico que atribua um maior grau de atractividade a uma parceira que potencie o fitness da descendência ao mesmo tempo que aumente a probabilidade de viabilidade da mesma. Ou seja, embora o intervalo de idades de mulheres que são alvo das preferências masculinas varie em consonância com a idade do homem que esteja a seleccionar, existe uma tendência (provavelmente fruto de probabilidades estatísticas) para seleccionar parceiras mais novas (maior tempo de período fértil que leva a uma maior possibilidade de frequência de reprodução). No entanto, quanto mais nova a parceira menos o seu próprio desenvolvimento se encontra em fases finais. Quanto menor for o WHR maiores as reservas de substâncias que promovem o desenvolvimento neuronal. Por isso, menor também vai ser a competição (intra-uterina) pelos mesmos recursos entre embrião e mãe, estando a mãe também ainda em desenvolvimento, a viabilidade de uma descendência com um fitness maior é assim também aumentada.


[1] Buss, David M 2004: Evolutionary Psychology - The New Sciend of the Mind - 2nd edition, Boston MA Pearson Education 2004, paginas 50ff.

Age and gender differences in mate selection criteria for various involvement levels.

Bram P. Buunk, Pieternel Dijkstra, Detlef Fetchenhauer, and Douglas T. Kenrick.

University of Groningen; and Arizona State University.

O estudo apresentado investiga as preferências na escolha de parceiros de homens e mulheres de várias idades, para níveis diferentes de relacionamento. Os níveis de relacionamento considerado foram os seguintes: Casamento; Relacionamento Sério; Apaixonar-se; Sexo Casual; e Fantasias Sexuais. As idades consideradas foram 20, 30, 40, 50, e 60 anos (+1 ou -1). Era pedido aos participantes uma categorização de um parceiro que se baseasse numa auto-avaliação, i.e., que tivesse como referência a própria pessoa; isto a nível de: Income, Atractividade Física, Auto-confiança, Inteligência, Dominância, e Posição Social. O estudo foi realizado na Holanda.

As teorias de investimento parental e de selecção sexual da psicologia evolutiva fornecem o framework teórico que serviu de base a esta investigação.

Segundo a teoria do investimento parental diferenciado (e.g. Buss, 1998; Symons, 1979; Trivers, 1972) machos e fêmeas usariam critérios diferentes para a selecção de parceiros sexuais devido ao diferente tipo de investimento parental, i.e., os machos, que possuem estratégias indirectas de investimento (recursos, protecção e comida), dariam mais importância a características ligadas à atractividade física (que veiculam um maior potencial reprodutivo); enquanto que as fêmeas, cujo investimento é directo (gestação, que implica recursos corporais do progenitor, cuidados directos durante o período de desenvolvimentos), dariam mais importância a características ligadas à capacidade de aquisição de recursos, estatuto e dominância (Buss, 1989).

A selecção sexual implica, por seu lado, a capacidade de comparação de um sujeito com os outros membros do seu grupo social. Esta característica acaba por estar presente a nível de trocas recíprocas (cooperação), a nível de competição para o investimento parental, bem como, a nível da selecção intrassexual. Por outro lado esta capacidade vai despertar mecanismos de competição social, seja por intimidação ou por atracção. A escolha de uma ou outra destas estratégias pode muito bem prender-se com duas ordens de auto-avaliações comparativas que os indivíduos fazem: a capacidade de reter a atenção social; e a capacidade de adquirir e reter recursos. Os autores Gilbert P., Price J. e Allan S. (1995), apontam a probabilidade de estas poderem ser as bases filogenéticas da auto-estima.

Seria assim de esperar que houvesse, devido à diferença de investimento à partida entre machos e fêmeas, uma tendência para os machos terem um padrão de selecção de parceiro mais baixo, ao passo que, pela mesma razão, as fêmeas devessem apresentar critérios mais exigentes. No entanto, Kenrich et al. (1990) apresentam o modelo de investimento qualificado que baseia-se na premissa de que os homens, por poderem vir a investir muito nos filhos, também pudessem apresentar critérios de selecção semelhante ao das mulheres relativamente a parceiros de longo prazo, ao passo que para parceiros de curto prazo, esses mesmos critérios fossem menos exigentes.

Olhando para os resultados:

Relativamente ao grau / tipo de envolvimento, resultou que quanto mais baixo for este, maior é a importância atribuída à atractividade física, enquanto que, quanto maior for o envolvimento, maior é a importância atribuída, especialmente nos homens, a características como a inteligência e a educação.

Relativamente às diferenças entre sexos, os dados apontam para uma preferência, no que diz respeito aos homens, para um parceiro com uma atractividade física superior à do sujeito. Por outro lado, as mulheres, aparentam ter preferência para a escolha de parceiros que, em comparação com as próprias, aparente maiores níveis de educação, rendimento, auto-confiança, inteligência, posição social e dominância.

Finalmente, em relação à idade, identificou-se uma tendência para estabelecer padrões mais elevados, no que diz respeito à educação, para um potencial parceiro, à medida que aumenta a idade do sujeito.

A relevância do artigo prende-se com a população escolhida para a investigação. A Holanda, sendo um país mais sexualmente liberal e feminista (Buunk, 1983; Buunk e Van Driel, 1989) do que os estados unidos, onde o fenómeno já tinha sido estudado, permitiu testar uma das primeiras premissas da psicologia evolutiva, o facto de estudar mecanismos psicológicos evoluídos e universais. O facto de ser uma cultura cujos valores faziam prever uma inversão nos resultados esperados, e o facto de este não ter sido o caso, fortalece a visão evolutiva dos critérios de selecção de parceiro. O facto de ter sido crida a categoria de fantasias sexuais às quatro categorias que tinham sido propostas por Kenrich et al. (1990), é significativo no que respeita à escolha de parceiros sexuais ‘a curto-prazo’, pois esta categoria permitiu expressar mais fidedignamente a preferência dos sujeitos, porque elimina toda a problemática da retribuição, por parte do parceiro escolhido, da preferência de escolha.

Mas qual, então, perguntam os autores, a razão por uma preferência de parceiros mais atractivos para relacionamentos mais fortuitos? Os autores apresentam uma explicação que tem a ver com os custos de uma manutenção de um relacionamento com um parceiro mais atractivo. Para as mulheres (que se encontram já num relacionamento estável com um ‘providenciador’ / ’investidor’) faria todo o sentido, tendo uma vantagem biológica a reprodução com um parceiro mais atractivo (genes mais ‘fortes’) enquanto beneficia dos recursos (sociais, de status, de income, etc.) do outro parceiro.

Neste sentido existe uma ‘estratégia nuclear de maximização biológica’ que implica que se um individuo puder, a pouco custo, melhorar o património genético da própria descendência, seja este macho ou fêmea, vai existir uma tendência para seguir esse caminho. No caso das mulheres acima descrito, deveria ser possível então conjecturar uma maior capacidade para ‘mentir’ ou para esconder, tanto a altura do mês em que existe mais probabilidade de fecundação, logo de ‘escapadelas’ (ovulação críptica), tanto para dissimular estados emocionais, que são a base da socialização e o nosso ‘medidor’ do que se passa no outro, fulcral para uma estratégia cooperativa, e ainda mais para um parceiro (‘cooperação biológica’). Os homens por seu lado, e usando a mesma estratégia acima descrita, facilmente optarão por parceiras mais jovens e atractivas para ter relacionamentos casuais de modo a maximizar as probabilidades de reprodução, ao mesmo tempo que investirão numa outra parceira, com a qual estabelecerão um contracto, e onde todos os outros factores considerados neste estudo teriam influência. No mesmo sentido (e conforme a ‘gravidade’ percepcionada da escolha de varias estratégias de reprodução) os homens também poderão ser vistos como bons ‘mentirosos’ embora não necessitem tanto, i.e., num contracto entre macho e fêmea onde um entra com investimento e recebe da outra segurança na paternidade e acesso à possibilidade de reprodução, ao tenderem ambos a usarem estratégias mistas, no caso do macho, este, desde que não invista em outra parceira, não estaria a quebrar este contracto e teria menos necessidade em ser ‘bom mentiroso’, a fêmea por seu lado estaria a quebrar o contracto directamente e, ao ser descoberta, poderia causar a quebra do relacionamento.

Relativamente às limitações do estudo, o facto de ter sido feita uma avaliação de características relativas ao self não toma em conta as diferenças de percepção de si próprio de cada uma das pessoas, sendo que esta percepção estará baseada, entre outras coisas, numa percepção, mais uma vez subjectiva, do ‘mercado’ onde os sujeitos estão integrados. Não tendo sido considerados estudos (que imagino que existam) sobre as diferenças de estratégias usadas pelos percentis mais altos vs. os mais baixos, bem como a diferença de percepção de si próprio, mais característica à pertença a um grupo que mais tem probabilidade de se reproduzir em contraste com o seu oposto, pode muito bem haver diferenças de base ao nível tanto da percepção como das estratégias utilizadas para minimizar ‘shortcomings’.

Este estudo vem sustentar o estudo de Kendrick et al. (1990; 1993) onde os homens, mais do que as mulheres, baixam os seu padrões de exigência no que diz respeito à inteligência da parceira, para companheiros de curto prazo. Estes resultados não estariam assim restritos aos EUA apontando para a universalidade da característica em estudo.

Para além disso, as faixas etárias escolhidas permitem extrapolar e confirmar alguns dos resultados para uma população mais adulta, e sustentam as diferenças de género na selecção de parceiros por canais bem diferentes do que os anúncios pessoais dos jornais.

Tuesday, November 06, 2007

V

Remember remember the 5th of November...

Tuesday, October 30, 2007

Psicologia Evolutiva

1. Distinga entre a afirmação “este caracter é uma adaptação” & “este caracter é adaptativo”.
Não sendo apenas uma mera distinção gramatical entre um substantivo e a sua adjectivação, apesar de ser uma explicação tentadora, irei tentar distinguir as duas afirmações partindo das mesmas. Se ‘este caracter é uma adaptação’ quer dizer que existe, com certeza, outro qualquer caracter que não o é. O que é um caracter que não é uma adaptação? Um caracter que não é uma adaptação será provavelmente um caracter que surgiu, durante o processo evolutivo de um organismo, como tantos outros, por deriva genética, por acaso. Isto quer dizer que existem outros caracteres que não surgem por acaso? Não. Todos os caracteres são resultantes de mutações aleatórias. Podem é ser úteis ou não úteis ou ainda indiferentes para a sobrevivência / reprodução do organismo no confronto com o meio em que está integrado. Os caracteres indiferentes não são alvo da ‘atenção’ da selecção natural e são os caracteres que não são uma adaptação. Mas a frase não era pela negativa. Então, os caracteres que são uma adaptação serão os caracteres que são resultantes de um processo de selecção natural e que foram úteis. Os caracteres que são prejudiciais serão caracteres inadaptativos. Nestas últimas duas frases há duas coisas que queria que fossem focadas: a conjugação verbal da primeira (‘foram’ – pretérito perfeito do Indicativo); e a palavra inadaptativos. Isto leva-nos à segunda afirmação e ao conceito de adaptativo (outra vez pela negativa) com mais uma variável que até agora têm passado despercebida: o tempo. Ora, estamos a falar de caracteres que são úteis, indiferentes ou prejudiciais para a sobrevivência de um organismo, e que são alvo da selecção natural ou não. É aqui importante perceber duas coisas: a selecção natural é um processo; e nós temos acesso só ao momento presente (não final) do processo. Quanto mais complicada a característica que é alvo da nossa atenção mais a probabilidade terá de ter sofrido varias mutações até chegar ao que vemos hoje. A adaptatividade prende-se então com o contributo de um caracter para o aumento do ‘fitness’ de um organismo. Este caracter pode ou não ter função aparente, sendo que esta (leia-se função) pode só ser visível mais à frente no processo evolutivo. Uma forma de distinguir os dois termos poderá ser a seguinte: um caracter que é uma adaptação é um caracter que é resultante de um processo de selecção natural e que tem ou não uma função específica que pode ou não aumentar o ‘fitness’ do organismo no momento presente, mas que de certeza o aumentou no passado; um caracter que é adaptativo é um caracter que presentemente confere uma vantagem evolutiva ao organismo que é necessariamente uma adaptação ou uma exaptação, mas pode, no entanto, não ter tido função observável ou até qualquer influência no passado. A diferença é o referencial temporal, e a implicação de um processo específico já acabado ou em andamento…

2. Quais as condições necessárias para a acção da selecção natural?
As características necessárias para a acção da selecção natural são: variabilidade genética intra-específica e reprodução.
Em verdade o sistema, para que funcione (i.e., para que a selecção natural actue ou exista até) precisa de mais umas quantas variáveis que estão implícitas nas duas acima referidas.
Em primeiro lugar um Organismo e um Meio. Os organismos tem de ser replicadores e o meio tem de ser limitado em espaço e recursos, isto leva à competição e logo à não sobrevivência de alguns organismos em prole de outros. O meio pode ou não variar, se variar a evolução acompanhara essas mudanças.
A replicação tem de envolver gastos de energia e os organismos não podem ser autosustentáveis i.e., têm de necessitar da energia do meio para se replicarem. Tem de haver uma passagem de informação sobre as características do organismo entre uma geração e outra, através de um sistema ao qual podemos chamar DNA.
Tem de existir o erro, haver mutações (falhas na replicação que acrescentem ou retirem aleatoriamente informação); pode ou não haver recombinação de genes.
Organismos (orgânicos ou não) que se reproduzam integrados num ambiente com recursos limitados, e que armazenem informação no DNA, ao longo do tempo, irão ser o alvo e, ao mesmo tempo, a base para a existência da selecção natural e irão necessariamente evoluir ou extinguir-se.
O link que se segue exemplifica os efeitos da selecção natural em organismos artificiais com apenas uma característica: http://www.youtube.com/watch?v=SeTssvexa9s

3. Acha que a nossa espécie é afectada pela selecção natural hoje em dia? Explique a sua resposta.
No seguimento da resposta anterior, não vejo porque não. Somos organismos, precisamos de consumir energia que é limitada, reproduzimo-nos, temos variabilidade intra-específica, DNA, competição, mutações e até uma interacção modificadora do meio que aumenta a probabilidade de existirem mudanças que venham a afectar o nosso nível de ‘fitness’.

4. Distinga entre selecção natural & selecção sexual.
Selecção natural é o processo pelo qual os caracteres favoráveis e herdáveis de um organismo tendem a ser mais frequentes em gerações sucessivas ao mesmo tempo que os caracteres não favoráveis tendem a desaparecer. O que torna um caracter favorável é o seu contributo para o ‘fitness’ do organismo: a capacidade de perpetuar os próprios genes, que é dada pela proporção dos genes desse organismo na totalidade dos genes da geração sucessiva. Um caracter favorável será então um que maximize a reprodução e a sobrevivência do organismo (na medida em que maximiza as possibilidades de reprodução).
A selecção sexual, por seu lado, prende-se com a reprodução sexuada, i.e., com a existência de um macho e uma fêmea e da necessidade dos dois para a reprodução. O foco de atenção recai também aqui sobre os caracteres herdáveis, e sobre o ‘fitness’ do organismo, no entanto é este conceito de ‘fitness’ que se vai alterar na medida em que, a capacidade de perpetuar os próprios genes, que depende da sobrevivência e reprodução, tem um grau de complexidade maior num dos factores. Agora, a reprodução implica o acesso a outro recurso que pode ou não ser escasso e que pode ou não querer cooperar. Fala-se aqui de selecção de caracteres que sejam atractivos para o sexo oposto, que nos confiram vantagem com a competição do mesmo sexo ou que nos permitam reproduzir sem cooperação (selecção de parceiro, competição intra-sexual e competição inter-sexual).

5. Em que medida a evolução de caracteres comportamentais se distingue/assemelha à evolução dos demais caracteres.
Antes de mais nada os caracteres comportamentais, para poderem ser estudados de uma perspectiva evolutiva, deverão ter uma base genética. Partimos portanto deste pressuposto; neste sentido a semelhança entre os dois tipos de caracteres será que ambos são resultantes de um processo evolutivo veiculado pela selecção natural. A sua distinção prende-se com a definição de característica genética facultativa, e com uma interacção específica com o meio. Ou seja, um caracter não comportamental surge, independentemente da sua interacção com o meio, apesar dessa interacção poder alterar de varias formas a sua expressão. Um caracter comportamental, por seu lado, depende da interacção com o meio para a sua expressão.
Consideremos então 5 variáveis: duas do organismo, genótipo (transmissão genética) e fenótipo (expressão de características); e três a nível da acção do meio sobre o organismo, uma acção positiva, uma acção neutra e uma acção negativa. A nível de transmissão genética o meio pode permiti-la e/ou potencia-la (acção neutra e positiva) ou impedi-la (acção negativa). Relativamente ao fenótipo exactamente o mesmo. No entanto é neste ponto que se distinguem os caracteres comportamentais dos não comportamentais. Enquanto os caracteres não comportamentais vão ter expressão quando confrontados com uma acção neutra e/ou positiva (variabilidade fenotípica) e vão ser inibidos perante uma acção negativa; os caracteres comportamentais só vão ter expressão se o meio tiver uma acção positiva, sendo que, na presença de uma acção negativa e/ou neutra não vão ter expressão.
A Psicologia Evolutiva (PE) vêm neste sentido tentar dar respostas à evolução de caracteres comportamentais, estes caracteres podem ser ‘domain-specific’ (DS) ou domain-general’ (DG). Mecanismos DS surgem como forma de lidar com problemas adaptativos recorrentes ao longo da história evolutiva do ser humano. Mecanismos que são DG surgem para lidar com a ‘novidade evolutiva’ tanto a nível de mudanças do meio como a nível de mutações específicas que vem alterar um dado caracter…

Wednesday, August 01, 2007

1E..., 30..., 36..., 11110...


Por mais voltas que dê sempre 30 são...

Monday, July 30, 2007

Comuniwatever...

Exige-se, ou pelo menos devia exigir-se, de qq pessoa um mínimo de consciência social, i.e., consciência de que o acto de comunicar não é apenas um regurgitar de palavras umas atrás das outras num ímpeto egóico de colmatação das próprias frustações.

não há um modo/modelo standard para se seguir que permita comunicar com todos de uma forma eficáz e eficiente. Comunicar implica ter algo para dizer que diz respeito também a outra pessoa... mentira... comunicar pode sim ser apenas um acto de sublimação de seja qual for a actividade psiquica que eu quero/presciso de sublimar, no entanto, ao assumir-se esta perspectiva não se pode esperar do outro (o destinatário da comunicação) que reaja da forma que queremos... bah... isto n está a sair bem... é o que da a falta de prática.

Resumindo: o que acontece a toda a informação sobre o mundo e o outro à qual, embora não esteja nos objectivos operacionais de uma comunicação específica, tb tenho acesso? Pq raio é que as pessoas não se mancam?

... e assim começou 2007!

Friday, September 22, 2006

conhecimento de si

Deve ser possível teorizar um processo cognitivo recursivo, não concorrente com qualquer outro processo, que ao funcionar em paralelo com outros processos cognitivos como a atenção, seja a sede da consciência. A linguagem/lingua, uma vez solucionado o problema da existência ou não de uma linguagem/lingua associada ao pensamento (abstracto ou concreto), será veiculadora da consciência racional de sí próprio. A consciência emocional será então, ou o resultante da atribuição de um mesmo valor de atenção a todos os processos mentais (i.e., inputs sensoriais internos e externos, memórias sensoriais e conceptualizadas e os restantes processos cognitivos), ou a manifestação de ainda outro processo cognitivo que implique um conhecimento global e instantâneo do próprio ser, em real-time...

Grafomania / Grafofobia

Sem dúvida esta coisa da escrita não é uma coisa que me saia tão naturalmente como falar. Se por um lado sou obrigado a ter um pensamento mais estruturado e a definir mais as coisas, por outro, sinto que me falta a disciplina cognitiva para comunicar apenas uma coisa de cada vez.

Isto é, se ao falar com alguem sobre seja qual for o assunto, eu me limitasse a aceder a uma base de dados de opiniões (já pré-pensadas e armazenadas) e so me tivesse de preocupar com a forma do que quero dizer, talvéz a escrita fosse uma coisa mais pacífica, e até mais desejavel. Teria assim tempo para pensar sobre a melhor forma de escrever aquilo que queria dizer. Teria assim tempo para deslindar a miríade de codigos e subcódigos linguisticos próprios da disciplina da escrita, teria tempo de os compreender (talvéz) e quem sabe até usa-los de uma forma coerente, apropriada e consciente. Conseguiria, com o domínio dos códigos da para-linguagem escrita, conduzir o pensamento do leitor de forma a envolve-lo e a fazer passar a mensagem que realmente queria fazer passar.

O meu problema é por um lado - exactamente como quando se aprende a conduzir um carro, ou outra qualquer actividade que se torne numa segunda natureza - ainda estar muito consciente da alavanca das mudanças, do volante, do espelho retrovisor, do acelerador, do ponto de embraiagem, da rua, dos peões, da sinalização (vertical e horizontal), etc.. Por isso, a escrita ainda não é uma coisa que me saia naturalmente, para além disso, ainda tenho imensos medos (preconceitos e estereótipos, que também não ajudam) que inviabilizam a fluidêz de um qualquer discurso por estarem a funcionar como bloqueios que, a cada duas palavras escritas, obrigam-me a relêr o que escreví.

Por outro lado, e em comparação com um discurso falado, sinto que a escrita como mais limitada e mais prone a ser mal interpretada. Explico; mais limitada porque em cada palavra escrita (apesar de contruções frásicas mais ou menos complexas e de outras tantas variáveis formais e contextuais, que por não ser linguista não tenho na ponta da língua) sinto não conseguir comunicar tanta coisa como em cada palavra falada (onde se pode "brincar" com a entoação, o ritmo o "pitch", a modulação, a expressão corporal e facial, etc., variaveis essas que permitem não só uma mudança de registro imediato, como uma maior fidelidade do contexto que quero evocar).
Mais prone a ser mal interpretada pois considero a palavra escrita como sendo mais proxima do simbolo do que a palavra falada, é mais generalista e por isso, é mais sujeita a uma interpretação subjectiva por parte do leitor. O simbolo que eu queria evocar com uma instanciação ou valência específica pode perfeitamente ser associado, na mente do leitor com outras experiências que podem ser tão diferentes das minhas que podem vir a enviesar o próprio sentido do discurso.

A terceira face da moeda do meu problema, prende-se com o que referí há pouco sobre bases de dados de opiniões. Regra geral até que abro a boca não sei o que quero dizer, isto é, não tenho ideias fixas sobre as coisas e estas (leia-se ideias) alteram-se conforme a situação e as variáveis que me são apresentadas. Não quero com isto dizer que sou uma pessoa completamente isenta de personalidade, ideias ou convicções, pelo contrário, quero com isto dizer que as experiências com as quais contacto no dia a dia vem reforçar ou não, um conjunto de valores e de nomas morais que tenho sobre o mundo, as pessoas, etc., pois estas experiências também são encaradas como simbolos de qualquer coisa que não é um símbolo mas ao que não tenho acesso - o real.

As interações com um outro qualquer objecto externo (sendo um objecto externo toda e qualquer manifestação física, animada ou inanimada exterior a mim) provocam necessariamente em mim uma ressonância emocional (no confronto com a dinâmica relacional dos meus objectos internos) mais ou menos forte. Esta ressonância manifesta-se através de sentimentos e/ou emoções constantes com as quais sou obrigado a lidar ou não (veja-se mecanismos de defesa). Ora, um qualquer input externo possui um output que pode ser externo ou não, e que é resultado de toda uma miríade de processos psiquicos e orgânicos que estão constantemente em acção. Este output pode ser consciente ou não e pode também acarretar associado a ele, a necessidade de ser exteriorizado ou não. Uma vez que falo, existe a necessidade de exteriorizar este output, que é o que exactamente? Uma sensação que é veiculada e compreendida através da lingua e da linguagem, dos simbolos comuns ou opostos entre interlocutores, dos estereótipos e ideias pré-concebidas de ambos sobre um determinado assunto. Portanto, não sei o que vou dizer quando abro a boca, mas sei o que sinto sobre o que me está a acontecer nesse momento. Às vezes o que é mais saliente nem é o assunto em debate mas sim, o confronto com alguem que me confronta com esse assunto nessa situação. Desse sentimento sai o discurso, que é fluido e facilmente, no meu caso específico, foge por tangentes que são resultantes de outros acontecimentos quase simultâneos que coexistem no mesmo espaço, e que voltam ao assunto em debate, e que fogem outra vez, sendo um jogo de simbolos evocados e um jogo de parentesis e aspas que se abrem e que se fecham, que tem como objectivo (que provavelmente difere de interlocutor para interlocutor) o conseguir comunicar(-se) uma resposta orgânica e psiquica do estar-se e do ser-se aquí e agora neste momento.

Finalmente acho que o caracter mais formal e permanente da escrita, confere-lhe uma valência, para mim, ainda mais assustadora. Que associada ao meu não-domínio dos códigos tornam qualquer experiência com a escrita mais difícil ainda...

Como dizia o outro, escreve mas é e deixa-te de tretas!

Monday, September 11, 2006

dasss

mas agora cada vez que quero fazer um post tenho de perder uma hora para me lembrar da pass e depois tenho de estar a espera de um mail? está visto que não faço muitos posts mas mesmo assim.... esta mania paranoica de ter uma passwrd diferente para cada nick, login e registro de net que possuo.... bah devo estar a ficar esclerosado, perdi a vontade de escrever coisas sérias... vou dormir.

Sunday, July 23, 2006

Monday, December 26, 2005

work in progress

O processo criativo é um processo de descoberta interior do confronto com uma nova vivência resultante de uma acção modificadora aplicada a um objecto interno ou esterno. É o descobrir (-se) (em) algum produto de um fazer; o redescobrir (-se) (em) algo ja existente e presente (a nivel qsiquico ou não) num outro contexto.
O acto criativo é resultante de uma motivação não recursiva, resulta de uma curiosidade intrínseca do ser humano no confronto com a infinitude das possibilidades do real; resulta de uma necessidade psiquica enquanto catarse de uma vivência, limitada por definição, e subjugada a um conjunto de imperativos (sociais, éticos, metodológicos, formais, morais, emotivos, etc...).
As referências a actos criativos, ou processos criativos prévios é incontornavel. Estas, latentes ou patentes, encontram-se no produto do acto criativo e são manifestações de ressonâncias psiquicas de varias influências de outros objectos (produtos de um processo criativo ou não) que agiram, agem e agirão em qualquer acção modificadora da realidade de cada um...
Existirá sempre a 'luta' entre os tecnicistas, artistas, intelectuais, profundos, 'meaningfull' e demasiado timidos e os outros; espontâneos, irresponsáveis, descompensados, irritantes, isolados, contortos.
Uns estudam e estudam para criar algo de novo, os outros, fazem e fazem sem nexo ou consciência da importância do acto modificador do real. Uns acabarão por perpetuar o que ja existe com mais uma ou duas camadas de complexidade, fazendo coisas artísticas que serão aclamadamente consideradas como contributos importantes para o panorama artístico nacional.
Outros nunca serão conhecidos, profissionais, ou até tidos como referências para seja o que for do domínio artístico.
Uns ao levar a 'arte' como um trabalho e uma coisa séria, serão 'artistas'; outros ao não serem sérios ou sequer minimamente responsáveis no que respeita o processo de criação artística, serão outra coisa qualquer.
Quem tem razão? os tecnicistas que estando tão embrulhados em referências e na importância da mesnagem que querem comunicar não 'criam' nada de espontâneo; ou os espontâneos que fazendo o que lhes apetece não sabem o que fazem, mas fazem o que sabem?

Tuesday, December 20, 2005

Wednesday, March 31, 2004

Como se chama, em termos leigos/populares a Identificação Projectiva?
Nas palavras do nosso Ricardo Araujo Pereira:
(com ar de desdém) QUEM DIZ É QUEM É!!

Wednesday, March 17, 2004

Portugal ja foi atacado

Pelo menos isso, isso de portugal ser uma provincia de espanha nem sempre é mau. No entanto isto agora do Euro é que me preocupa, será que pela primeira vez vamos finalmente ser reconhecidos como um país independente de espanha e conseguirem-nos lixar com isso ao mesmo tempo? Será que o Tuga vai consegui livrar-se deste "karma" que tem desde o desaparecimento do D. Sebastião? Bom, quanto ao Karma... poder-se-ia dizer que funciona nos dois sentidos por um lado ng nos conhece (isso é discutivel visto que ha portugueses em todo o mundo, mas va la) por outro, ng faz nada para que sejamos conhecidos. Até que nos escondemos atras do complexozinho de inferioridade de merda (que diga-se de passagem, ja nem sequer é original) para continuar a perpetuar o status quo, nunca iremos a lado nenhum.
Teoricamente somos perfeitos (todos somos) mas depois para aplicar é a treta que é... só tenho uma coisa a dizer, MANQUEM-SE!! (ya eu incluido); ao continuar a fazer de conta, mesmo que se faça de conta muito bem, e ao queixar-se que isto não vai a lado nenhum, e ao usar isso como desculpa para continuar a fazer de conta, bom... ta visto não ta?
Nisto tudo só espero uma coisa, que para além dos problemas todos que vamos ter, e que os vai haver vai (sim, eu sou dos pessimistas), que não se acrescente nenhuma bomba(zita) por mais pequena que ela seja, apra nos estragar a festa...

P.S. Poder-se-ia dizer muita coisa sobre as escolhas de investimentos que se fizeram nos ultimos anos, mas... não temos tempo.

Até daki a algum temo ENEI ca vou eu!

Monday, January 26, 2004

O primeiro blog que parece que existe mas é mentira...

Por acaso é uma saida inglória para a minha falta de posts.. mas ca vai um meio à pressão. para quem falar espanhol ca vai uma boa razão para NÃO deixar de fumar:

LOS FUMADORES, ENTRE EL ATRACO Y LA ESTAFA

Por Antonio Escohotado (*)

MADRID, Dic (IPS) - Pensaba dejar los cigarrillos el próximo febrero,
dando por suficientes 40 y muchos años de gran fumador, pero el
recrudecimiento de la cruzada antitabaco justifica un ejercicio de
solidaridad con quienes siguen fumando, y aspiran a ser respetados.

En efecto, los reglamentos no mandan que las tiendas de alpinismo
estampen en sus artículos esquelas sobre peligros de la escalada; ni
imponen a la manteca y la mantequilla esquelas parejas sobre los riesgos del
colesterol.
Ni siquiera los concesionarios de motos y coches deportivos deben
incorporar algo análogo sobre accidentes de tráfico. Vendedores y bebedores
de alcohol, quizá por respeto al vino de la misa, no son molestados.
Quienes usan compulsivamente pastillas de botica resultan pacientes
decorosos, y quienes toman drogas ilícitas son inocentes víctimas,
redimibles con tratamiento. El tabacómano y el simple usuario
ocasional de tabaco, en cambio, son una especie de leprosos
desobedientes, que pueden curarse con sanciones y publicidad
truculenta.

Es indiscutible que el humo molesta, y que debe haber amplias zonas
para no fumadores. Sólo se discute qué tamaño tendrán en cada sitio
(edificios, barcos, aviones) las zonas para fumadores. Cuando algo que
usa un tercio de la población recibe una centésima o milésima parte del
espacio -o simplemente ninguna- oprimimos a gran número de adultos,
capacitados todos ellos para exigir que las leyes no reincidan en defenderles
de sí mismos. Que las leyes prohíban, o impongan, actos por nuestro
propio bien dejó de ser legítimo ya en 1789, al reconocerse los
Derechos del Hombre y del Ciudadano, gracias a lo cual en vez de
súbditos-párvulos empezamos a ser tratados como mayores de edad
autónomos. Y es llamativo que en un momento tan sensible al respeto
por muy distintas minorías cunda un desprecio tan olímpico hacia la
única minoría que se acerca a una mayoría del censo.

Sólo se entiende, de hecho, considerando la tentación de convertir los
estados de Derecho en estados terapéuticos, legisladores sobre el
dolor y el placer, donde lo que antes se imponía por teológicamente
puro pueda ahora imponerse por médicamente recomendable.

Con todo, la sustancia del atropello no cambia al sustituir sotanas
negras por batas blancas. Si atendemos al asunto concreto, vemos
enseguida que la fanfarria terapeutista disimula y deforma sus
términos. En primer lugar,la nicotina estimula, seda y previene algunas
enfermedades; los agentes propiamente nocivos son alquitranes derivados
de asimilarla por combustión.

El gendarme terapéutico ¿se ocupa acaso de promover alternativas al
alquitrán? Las primeras patentes de cajetillas con una pila que
calienta el tabaco a unos cien grados, hasta liberar la nicotina sin producir
alquitranes, tienen más de 20 años. Esos revolucionarios inventos para
inhalar selectivamente han ido siendo comprados por las grandes
tabaqueras, como es lógico; pero que Philip Morris o Winston se arriesguen a poner
en marcha tanto cambio pide un cambio paralelo en la actitud oficial,
hoy por hoy anclada al simplismo de satanizar la nicotina.

En segundo lugar, las incoherencias del terapeutismo coactivo brillan
en el hecho de que sus desvelos por la salud del fumador no incluyen
informar sobre o intervenir en qué fumamos, cuando el tabaco ronda una
quinta parte del contenido de cada pitillo. El resto, llamado sopa, es
una receta confidencial del fabricante, cuya discrecionalidad le
permite novedades como añadir tenues filamentos de fósforo al papel,
para que queme más deprisa. En tercer lugar, a este generalizado
trágala se añaden promesas de doblar el ya exorbitante precio de las cajetillas,
como si sumir en ruina al tabacómano le resultara salutífero.

Así, los deleites unidos a fumar -que son básicamente energía y paz de
espíritu-, y los inconvenientes de dejar esa costumbre -que son
desasosiego, y resucitar la codicia oral del lactante- pretenden
solventarse con un cuadro de castigos: no saber qué fumamos, no tener
alternativas a una inhalación de ilimitados alquitranes, padecer
atracos al bolsillo, sufrir discriminación social, o comulgar con falsedades
(como que estaremos a salvo de cáncer pulmonar, bronquitis, arterioesclerosis e
infartos evitando el tabaco). Curiosamente, el cruzado farmacológico
norteamericano, que está en el origen de esta iniciativa, se niega por
sistema a reducir sus emisiones de gases tóxicos firmando Kioto, sin
duda porque tragar humo de modo involuntario y no selectivo es tan
admisible como inadmisible resulta tragarlo de modo voluntario y
selectivo.

Ante tal suma de iniquidades, un grupo tan nutrido como el tabaquista
debe reclamar los mismos derechos que cualquier minoría, empezando por
regular él mismo sus propios asuntos. Actos de pacífica desobediencia
civil en cada país, como encender todos los días varios millones de cigarrillos a
cierta hora, parecen sencillos de organizar, y prometen tanta fiesta
para los rebeldes como impotente costernación en el gendarme
higienista.

Moliére lo comenta ya en L'amour médecin: el tabaco es droga de gente
honrada, como el café. Reconozcamos también que en tiempos de Moliére
no se había descubierto el cigarrillo, ni Hollywood había promocionado tan
abrumadoramente su empleo. Doy por evidente que los ceniceros sucios
despiden un olor asqueroso, que el tabacómano es una especie de manco,
y que fumar muchos cigarrillos genera a la larga efectos secundarios
funestos. No por ello resulta más arriesgado que conducir deprisa. Ni
es más insensato que ignorar el cultivo del conocimiento, la práctica
de la generosidad o prepararse cada uno para su venidera muerte. Lo
arriesgado es que la ley saque los pies del tiesto, lanzándose a proteger a los
ciudadanos de sí mismos, como si la sociedad civil pudiera
administrarse a la manera de un parvulario.

Cuando nos atracan entregamos el botín a disgusto, conscientes de
padecer una agresión. Cuando nos estafan lo damos a gusto, imaginando
hacer un buen negocio. Pero es estafa, y no buen negocio, cargar con planes
eugenésico-paternalistas que siempre aúnan despotismo con frivolidad.
Dejar de fumar sólo cuesta tanto porque sus efectos primarios -anímicos y
coreográficos- generan un placer sutil. Sin duda, haremos bien dejando
de fumar compulsivamente, mientras eso no nos amargue el carácter y
desemboque en efectos secundarios como obesidad, inquietud o sustitutos químicos
para la sedación-estimulación que obteníamos encadenando cigarrillos.
Como dijo Epicteto, "nada hay bueno ni malo salvo la voluntad humana",
y si lo olvidamos todo el horizonte se torna banal, no menos que
proclive a confundir opresión con protección, estafa con benevolencia.
(FIN/COPYRIGHT IPS)

(*) Antonio Escohotado, escritor y filósofo.
------------------------------------------------------

e pronto... daqui a uns meses ca vou eu outra vez...
note-se que este post é mais para descansar a minha consciência e fazer de conta que escreví alguma coisa...

Tuesday, December 16, 2003

nada a ver

o post anetrior é rigorosamente diferente do post de domingo passado no antro do anho, alias ta na cara que não tem nada a ver.

...

Sunday, December 14, 2003

A Notícia do Dia

senhoras e senhores, já o temos! (aplausos e gritos de alegria pela sala*). a boa noticia disto é que finalmente encontraram o cérebro do bush. esse amigo de infância que tinha partido tão repentinamente e que disse nunca mais querer ver o dono (pois nunca era usado), foi finalmente encontrado numa cave ao pé da sua casa natal (a 15 km sud-este da sua casa natal - alegou que se encontrava la por querer rever a família nesta época festiva.). o dito não ofereceu resistência quando foi capturado, mas demonstrava aluguns maus tratos e algum envelhecimento. o cérebro do bush ja não é o mesmo. alterado e mudado por uma vida inteira fora do próprio crânio estava quase irreconhecivel (parecia pensar) mas depois de devidamente examinado e depois do teste de ADN veio a confirmação. ERA MESMO ELE!!!

* quanto dinheiro acham que se gastou em luvas para estas manifestações "espontâneas" de alegria. ja por não falar dos entervistados um pouco por todo o iraque. 10$? 20$? bah....

mas tudo é bom quando acaba bem, ja dizia o velho YODA, o nosso primeiro ministro esta contente e o nosso ministro da defesa teve mais um dia na televisão (ainda bem porque quando não o deixam dizer baboseiras a torto e a direito o gajo lembra-se de chamar as atenções de formas escabrosas como aquela cena do dia da defesa nacional ou o caralho que o valha) o excelentíssimo presidente da camara de lisboa disse: "estão a ver, estão a ver, eu sabia que se fechassemos o trânsito no bairro alto e em alfama e se obrigassemos os locais a fechar às 2h00 as pessoas andariam mais chateadas e se denunciariam umas às outras, e isso no fim de contas ajudou ao "achamento" do extraviado cérebro. as minhas acções na 24 de julho valem mais agora e isso também e bom".

enfim, todos fizeram a sua parte a GNR continua a tocar músicas foleiras no iraque (e isso também ajudou para este dia maravilhoso) e todos podemos ir dormir mais descansados porque finalmente temos um gajo com cérebro no lugar de mais poder no mundo.

o candidato à presidência pelo partido democrático é a favor da pena de morte.... "matam-se tantas pessoas por la (e por cá também) que não faz assim tão mal, é só um tirozito no meio da testa não custa nada vá...". o advogado do cérebro no entanto não vê as coisas da mesma forma, segundo este sujeito, o cérebro tem todo o direito de não querer voltar para casa e a sua fuga não foi illegal, a pena de morte portanto não se aplicaria até porque antes da alegada fuga (o advogado de defesa quere provar que o próprio bush expulsou o cérebro e não foi ele a fugir) o facto de o sr. bush ter cerebro ou não ter não é de todo relevante para o caso pois este nunca o tinha usado...

por isso, meus queridos leitores, por hoje podem dormir descansados por mais do que uma razão. o cérebro foi capturado e está devidmente representado, todos fomos bonzinhos e fizemos a nossa parte, o mau está à mercê de gente com princípios e fundamentalmente boa, e esta história ainda vai dar umas audiênciazinhas aos telejornais que coitadinhos como não tem nada para noticiar tem de esticar estes acontecimentos ao longo de duas horas por telejornal e de sete dias da semana. pelo menos agora sabemos com o que podemos contar da televisão na próxima semana e isso de certa forma reassegura qualquer um, não?

que bom é que é viver neste mundo!!

P.S. de notar que o bibí, o pipí, o processo moderna, o big brother, a operação triunfo, os ídolos e outro qualquer assunto de importância nacional até ontem, hoje não foram mencionados sequer. será que acabaram? nããããã para a semana voltamos à mesma rotina de sempre. mas por enquanto aproveitem que isto é novidade!!!

ide... em paz ou não, mas ide-vos foder!!